Glossário Textil e Curiosidades – parte 8

Abaixo a continuação do glossário sobre tecidosmoda e termos afins. Nosso objetivo, longe de esgotar o assunto, foi o de prestar um auxilio as pessoas que procuram informações nesta área, por isto estamos sempre fazendo pesquisas para mantê-la atualizada e ampliarmos as informações. Fique a vontade para comentar e somar informações.

Acesse as publicações anteriores deste glossário: Glossário – parte 1 letra “A” , Glossário – parte 2 letra “B” , Glossário parte 3 – letra “C” ,  Glossário – parte 4 – letra “D” , Glossário – parte 5 – letra “E” , Glossário – parte 6 – letra “F” e Glossario – parte 7 – letra “G”

Helanca®tecido elástico para calças e bermudas, produzido com fio de poliamida texturizado por falsa torção geralmente colocado na trama (a helanca geralmente tem elasticidade no sentido lateral). Nome derivado de marca registrada do fio texturizado. 
Hidrocarboneto: composto constituído apenas por carbono e hidrogênio.(Os hidrocarbonetos insaturados compreendem os alcenos, os alcinos e os hidrocarbonetos aromáticos). 
Índigo Blue: nome do tecido utilizado universalmente para calças jeans. O nome índigo é uma alusão à planta indiana chama “Indigus” a qual continha em sua raiz um corante de coloração natural azul e na época servia de base para tingimento nas tribos. Hoje o índigo se define como corante para calças jeans em tons de azul. 
Irisado: tecido com acabamento para dar aspecto semelhante ao Arco-Íris. 
Jacquard (Joseph-Marie Jacquard):Nascido em Lyon em 1752, filho de tecelão, faleceu em 1834. Inventou a maquineta deste nome (ou seja, do Façonné) em 1790. Terminou a primeira maquineta em 1800. Ela tinha por finalidade movimentar os fios de urdume com um só tecelão e, assim, eliminar os “tireurs de lacs” (meninos instalados em cima do tear para levantar os fios à mão). Dessa forma foi suprimido o uso de 3 tecelãos e 2 tecelãs por tear; por esse motivo, no início, esta maquineta foi muito mal acolhida. O princípio desta invenção é utilizar um papel sem fim (ou vários cartões) previamente perfurados, para selecionar o levantamento dos fios que devam criar os motivos decorativos do tecido.

São efetuadas quatro operações para realização do tecido Jacquard, a saber:

  1. Esboço: Em francês “esquisse”, que é a representação gráfica e colorida, sobre papel, do futuro desenho jacquard ou do estampado;
  2. Mise en carte: Operação que consiste em pintar o “papier de mise en carte”, para reproduzir o esboço do futuro tecido jacquard. Este papel é quadriculado para representar o cruzamento dos fios de urdume e de trama.
    O quadriculado pode ser de vários tamanhos, conforme a proporção de fios e batidas (Ex: tecido com 05 fios/40 batidas, papel 10/8). Neste papel são pintadas as formas e/ou os desenhos de todos os motivos do jacquard, considerando a quantidade de agulhas da maquineta jacquard (Vincenzy ou Verdol) e a densidade final do tecido. Antigamente neste papel eram pintados todos os desenhos que participavam da composição do jacquard. Atualmente, o “ligasse” sendo dito como “acelerado” no papel, pinta-se apenas a forma desejada com uma cor lisa e diferente, para cada desenho. Embaixo ou no avesso do papel se traça um recorte de cada desenho, os quais são após utilizados para furar todos os cartões. Este sistema simplificou muito o trabalho de “Mise em carte”. A pessoa encarregada deste serviço chama-se “metteur en carte” (ver traçados anexos).
  3. Leitura: a leitura ou “lisage” em francês, é a operação que consiste em furar os cartões ou o papel Verdol, para um desenho jacquard, a partir do papel de “Mise en carte”. Operação realizada pelo “Liseur”.
  4. Tecimento.

As maquinetas Jacquard se dividem em 3 grupos principais, conforme o tipo de cartão ou papelão e a densidade das agulhas. Cada uma leva o nome do inventor:

1) Sistema Jacquard: Densidade: 104, 400, 600, 700, 900, 1000, 1200 agulhas (úteis para o tecido). O defeito da Jacquard era usar agulhas grossas e cartões pesados e volumosos (1 cartão para cada trama).
2) Sistema Vincenzy: (1 cartão para cada trama), 384, 576, 768, 1152 (úteis para o tecido). Agulhas mais finas, cartões mais leves e menores.
3) Sistema Verdol: (papel sem fim). 896 e 1344 agulhas (800 e 1200 para o tecido). Agulhas muito finas, papel sem fim, muito mais leve e mais fácil de manusear que os cartões. Atualmente muito utilizado. No Brasil se encontram os 2 sistemas: Vincenzy e Verdol. 

Javanesa: tecido em ligamento tela, com fio de filamento de Viscose no urdume e fio de Viscose fiado na trama, muito usado em moda feminina. V
Jeans: nome em inglês do fustão de algodão com ligamento sarja, ou seja, igual a brim, denim, coutil, atualmente na cor Azul Índigo. Jeans na gíria inglesa significa calça, macacão, etc. 
Jersey ou Jérsei: tecido de malha leve e de ligamento simples, muito usado para lingerie. O tecido de jersey possui uma única face, é característica deste tecido repousar ao entrelaçamento de pontos na mesma direção, no lado direito, ao passo que no avesso notamos as laçadas produzidas de forma semicircular. A produção de tecido de jersey é feita em máquinas que possuem um único conjunto de agulhas (frontura). No entanto, também podemos tecê-lo em máquinas que disponham de dois conjuntos de agulhas (dupla frontura), onde naturalmente só se verificará o tecimento num dos conjuntos da agulha (frontura).Ver: Jersey (Trilobal) 
Juta: fibra têxtil obtida da planta tiliácea. As fibras de juta são extraídas do caule de “plantas duras” , assim como o linho, o cânhamo, etc. Trata-se de plantas herbáceas anuais, ou seja, alcançam a maturidade no decorrer de um ano, produzindo sementes para os demais períodos de cultivo, porém exigindo, para um bom desenvolvimento, calor e umidade. Possuem um caule reto com circunferência de cerca de 3,80 cm e altura entre 1,5 e 3 metros. A fibra de juta apresenta, geralmente, um brilho sedoso e, quando comparada ao linho, é mais quebradiça, o que a impede de ser transformada em fios finos, já que os feixes não se separam tão bem no sentido longitudinal. Elas apresentam um fino “brilho” sedoso, um toque grosseiro e áspero, embora as de melhores qualidades sejam suaves e macias. A juta não é tão resistente nem tão durável quanto o linho, o cânhamo ou o rami.

É uma fibra barata, e se encontra disponível em grande quantidade

Além das aplicações mais comuns, como por exemplo, tecidos para sacos e telas de aniagem, os tecidos de juta, tem tido grande aceitação junto aos decoradores devido ao seu aspecto rústico

Outras Características:As fibras não se alongam dentro de uma extensão apreciável; Apresentam baixa elasticidade; péssima recuperação à dobra, compressão ou amarrotamento; deterioram-se rapidamente com umidade, tornando-se quebradiças, fracas e escuras; tem menor resistência que o linhoou o algodão à ação de microorganismos. Ver: Jutas e Tecidos com Jutas

Lã: fibra natural de origem animal, macia e ondulada obtida principalmente do pelo das ovelhas domésticas, e de outros animais como o camelo, a alpaca, as cabras de Angorá e de Kashmir, a lhama e a vicunha, e utilizadas na fabricação de tecidos.

A lã se diferencia do pêlo pela natureza da superfície externa das fibras. A superfície varia de acordo com a espessura e a ondulação da fibra. Devido a essa ondulação, a lã tem uma elasticidade e uma resistência longitudinal maiores que outras fibras naturais.

Características: quente e confortável, excelente isolante térmico; resistente ao amassamento; absorve bem a transpiração e a umidade; amarela e desbota quando exposta ao sol; baixa resistência ao atrito; atacada por traças, insetos e fungos; não resiste a produtos químicos; exige precauções durante a conservação.

Laise: tecido leve de algodão, com aplicação de bordados. Originário da França. 
Lamê: tecido liso ou jacquard, utilizando em trama fios metálicos, ouro, prata, etc. , muito utilizado na moda feminina e para roupas de carnaval. Ver:Lamê Samoa. 
Laminados: são estruturas obtidas pela colagem de dois tecidos diferentes ou pela simples aplicação de um impermeabilizante químico a um tecido qualquer. 
Lançadeira: peça do tear, que contém uma bobina (canela), em que se enrola o fio da trama, e com a qual o tecelão faz correr o fio da trama entre os da urdidura, peça análoga da máquinas de costurar, que leva a linha para formar a laçada no ponto fixo. 
Liço: cada um dos fios, entre dois liçaróis ( travessas que seguram os liços) do tear, que sobem e descem para serem atravessados pelos fios datecelagem.

Limite de Umidade: “Uma das mais importantes propriedades das fibras têxteis é a absorção de umidade, ou seja, a capacidade que cada fibra possui de absorver água do ambiente. As fibras naturais ou artificiais de origem celulósica têm alta capacidade de absorver umidade: por exemplo, cerca de 8,5% do peso do algodão e 14% do peso da viscose é composto por água, entre outras. Já as fibras sintéticas absorvem menos umidade: no poliéster, por exemplo, só 0,4% de seu peso é composto por água”. Fonte:Sérgio Ferreira Bastos (SENAI/CETIQT). 

Linho: fibra natural de origem vegetal procedente do talo do linho, tem como principal característica, o aspecto rústico, o que natural de sua fibra quando combinado com a viscose torna-se bastante favorável ao processo de tingimento.

O linho é uma fibra bastante forte. Os tecidos de linho são duráveis e fáceis de serem submetidos a certos trabalhos de manutenção, tais como a lavagem. Quando molhados, a resistência dos mesmos pode ser 20% superior ao mesmo tecido em estado normal. As fibras de linho têm aparência lustrosa. Este elevado “brilho” natural é proporcionado pela remoção de ceras e outros materiais.

As fibras de linho não “encolhem” nem “alongam’. Os tecidos, assim como os dele feitos,também estão sujeitos a estas situações.

Características: muito resistente e confortável; lava-se com facilidade; não encolhe; bom condutor de calor;amarrota com facilidade; atacado por fungos; queima com facilidade; Limite de umidade: 12%.

Aplicações: confecção, cortinas, rouparia doméstica, lenços, etc. 

Lona: tela pesada de algodão, destinada a recobrir cargas ou proteger produtos perecíveis, principalmente usada para caminhões. Atualmente a Lona pode ser feita com diversas matérias-primas além do algodão, como poliéster, poliamida, etc. e com diversos acabamentos, sendo muito utilizada, também, para confecção de bolsas, tênis, barracas, cadeiras de praia etc. Ver: Lona Colorida e Estampada. Voltar
Lonita: tecido consistente de algodão liso, listrado ou xadrez, muito utilizado na confecção de jaquetas, toalhas de mesa capas, etc. Ver: Lonita Xadrez Renaux
Lycra®fibra sintética inventada pela Du Pont, pertence à classificação genérica elastano das fibras sintéticas (conhecida como Spandex nos E.U.A. e Canadá) sendo descrito em termos químicos como um poliuretano segmentado. Sua notáveis propriedades de alongamento e recuperação enobrece tecidos, adicionando novas dimensões de caimento, conforto e contorno das roupas. Pode ser esticado quatro a sete vezes seu comprimento, retornando instantaneamente ao seu comprimento original quando sua tensão é relaxada. Resistente ao sol e água salgada, e retém sua característica flexível no uso e ao passar do tempo.

Um tecido jamais é feito de 100% lycra, ele é usado em pequenas quantidades, sendo sempre combinado com outra fibra, natural ou sintética. A fim de preservar as qualidades e características da fibra principal, a lycra é revestida pela mesma, assim qualquer que seja a mistura, o tecido concebido com a lycra irá sempre conservar a aparência e toque da fibra principal. 

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